A MÚSICA E AS EMOÇÕES

A música interfere na plasticidade cerebral, favorece conexões entre neurônios na área frontal do cérebro, que é relacionada a processos de memorização e atenção, além de estimular a comunicação entre os dois lados do cérebro, o que pode explicar sua relação com raciocínio e matemática. O ser humano é essencialmente musical, seja no ritmo corporal (andar, mastigar, falar…), seja no ritmo fisiológico (respirar, nos batimentos cardíacos, intestinos…), e a música tem se mostrado importante para o neurodesenvolvimento da criança e de suas funções cognitivas.

Do lado psíquico, a música acompanha praticamente todos os momentos emocionais importantes nas nossas vidas, desde as canções de ninar até a música fúnebre. Isso contribui para a construção de relações de afeto com a música, afeto este que pode ser mobilizado na presença de determinadas músicas.

Coletivamente e culturalmente nota-se a existência de grupos de pessoas com determinadas identidades musicais e que tendem a atribuir valores afetivos semelhantes a determinadas músicas.

Dessa forma, existe tanto um caráter social quanto um caráter pessoal relacionado às experiências musicais. Geralmente os afetos da pessoa são profundamente mobilizados pela música, a ponto de não se sentir feliz ouvindo uma música que recorde um momento triste e o vice-versa disso é importante nas recomendações musicais para ajudar no tratamento da depressão.

A atividade musical envolve quase todas as regiões do cérebro e os sistemas neurais. Por exames de imagem funcional cerebral vê-se que a música capaz de emocionar ativas estruturas das regiões cerebelares, responsáveis pela produção e liberação da neurotransmissora dopamina e noradrenalina e, principalmente da amídala, que é a principal área do processamento emocional. O ato quase automático de acompanhar uma música é capaz de ativar a região do hipocampo, responsável pelas memórias, bem como o córtex frontal inferior. Para a execução de músicas são acionados os lobos frontais, tanto através do córtex motor quanto sensorial.

O cérebro humano é formado por três partes: o arquicérebro, ou cérebro reptiliano, comum a todos os animais, o sistema límbico, aquisição evolutiva nos mamíferos, e o neo-cérebro ou cérebro cortical, presente em seres biologicamente mais evoluídos – como símios, baleias, golfinhos e ser humano.

O ritmo estaria relacionado com o cérebro reptiliano, um sistema comum a todos os animais e responsável pelo instinto. Músicas de ritmo básico, primitivo e primário, como o batuque ou o ritmo eletrônico, estimulariam mais essa parte reptiliana do cérebro humano. Bastante primitivo e capaz de entorpecer emoções mais sublimes. As músicas mais elaboradas e melodiosas provocariam o lado emocional do cérebro, como as músicas clássicas e românticas. Esse tipo de música ativa também o sistema límbico, relacionado com a intuição e o sentimento.

 

O compositor italiano Rossini, autor de músicas sacras, músicas de câmara e de mais de trinta óperas, dentre elas O barbeiro de Sevilha e Cinderela, escreveu: “A influência da música sobre a alma, sobre o seu progresso moral, é reconhecida por todo o mundo. A harmonia coloca a alma sob o poder de um sentimento que a desmaterializa. Tal sentimento existe num certo grau, mas se desenvolve sob a ação de um sentimento similar mais elevado. A música exerce uma influência feliz sobre a alma. E a alma, que concebe a música, também exerce sua influência sobre a música. A alma virtuosa, que tem a paixão do bem, do belo, do grande, e que adquiriu harmonia, produzirá obras-primas capazes de penetrar as almas mais encouraçadas e de comovê-las”.

Três são os processos neuro-físicos, que podem ser desencadeados pela música.

  1. A música é um processo não verbal, e por isso pode se mover através do córtex auditivo do cérebro diretamente para o centro do sistema límbico. O sistema límbico governa nossas experiências emocionais básicas e respostas metabólicas, tais como a temperatura corporal, pressão arterial e frequência cardíaca. Segundo a psicoacústica, a música pode também ajudar a criar novos circuitos neurais no cérebro.
  2. A música pode ativar o fluxo de memória armazenada e da imaginação, através do corpus callosum (ponte entre os hemisférios direito e esquerdo do cérebro), ajudando os dois a trabalharem em harmonia. Ainda segundo a psicoacústica, isso pode estimular o sistema imunológico.
  3. A música pode ativar os peptídeos do cérebro e estimular a produção de endorfinas, que são opiláceos naturais liberados pelo hipotálamo, produzindo uma sensação de euforia natural, alterando o humor e as emoções.

 

Fonte:http://acordeonistaseprofessores.comunidades.net

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